Família “margarina”

Quando eu era "criança pequena" lá na periferia de uma cidade grande com mais de um milhão de habitantes, no meu saudoso DIC (Distrito Industrial de Campinas), lembro-me de assistir pela televisão aquelas propagandas comerciais de uma certa marca de margarina em que os protagonistas eram membros de uma família que não tinha quase nada a ver com nossas famílias do bairro. De fato, não sei nem se tinha algo a ver com alguma família em qualquer lugar do mundo ou época.

Mas, não importa se algum dia existiu ou não alguma família como aquela estereotipada dos comerciais de margarina, tornou-se quase que uma expressão comum de crítica social dizer que tal representação era muito artificial. Tanto que a própria marca do produto mudou a propaganda e não usa mais este tipo de mensagem da família “feliz e perfeita”.

Pelo contrário, cada vez mais o discurso politicamente correto é o da representatividade da diversidade, esta é a palavra de ordem no momento. Muito válido para nós todos que nunca nos identificamos com os estereótipos pregados pela sociedade.

Parece que até mesmo a própria sociedade se decepcionou com o antigo modelo que tentava hipocritamente sustentar. Talvez seja um fenômeno de maturidade coletiva deixar as visões românticas. Ou apenas eu que, a partir da adolescência, comecei naturalmente a ver o mundo diferente e tinha até raiva dos modelos e padrões sociais. Mesmo porque, é justamente na fase da entrada dos filhos na adolescência que toda família sofre transformações intensas, não somente os filhos e, aliado a tudo isso, minha própria família passou por situações marcantes neste período.

Sendo assim, nós todos entramos em terapia familiar naquela época. Eu mesmo outras vezes encarei a terapia (também familiar ou de casal). Além disso, está fazendo 15 anos que comecei a estudar especificamente psicologia. Desde o início da graduação até hoje, além da prática profissional em setores diferentes, foram diversos cursos, encontros, congressos, pós graduação lato e stricto sensu, início do doutorado e experiência fora do Brasil, cada vez mais aprofundando meus conhecimentos sobre Família.

Contudo, o que posso garantir é que neste universo da psicologia, tanto nos processos terapêuticos quanto nos estudos acadêmicos, as coisas tendem a piorar muito antes de começar a melhorar. Um pouco de conhecimento ou o início da terapia nos coloca diante de novas realidades que podem nos trazer também sofrimento. Um pouco mais de conhecimento e permitindo-se ao avanço do processo terapêutico, podem nos introduzir em novas realidades de superação, desenvolvimento e satisfação.

Enfim, como afirmei acima: “não importa se algum dia existiu ou não alguma família como aquela estereotipada dos comerciais de margarina”, sinceramente, desejo muito que sim, que existam famílias felizes e perfeitas, felizes pela sua trajetória apesar de todos percalços após aprenderem o necessário, permitindo-se, ou não, ao processo de psicoterapia e funcionando de modo perfeito, ou seja, com as competências e habilidades para enfrentar todos os problemas previsíveis, ou não, que são próprios da existência humana.

Por isso, é com otimismo que hoje ofereço meus serviços como psicólogo, com base teórica nas abordagens familiares, cognitivo-comportamental e perspectiva positiva. Com foco nas potencialidades individuais e familiares que promovem comportamentos saudáveis, sabendo que não há modelo único ou configuração de família mais adequado, nem problema ou trauma que não possa ser superado!

Luis Antonio Silva Bernardo

Psicólogo CRP 06/115616

Ps.: com agradecimento a Linda Pestana pela colaboração indireta por meio do diálogo honesto.