Maioridade: a reta final da educação dos filhos!

 

Tenho escrito com maior frequência a respeito da educação dos filhos, seja quanto ao modo de discipliná-los, ou quanto ao que evitar, desafios, estratégias, alguns contextos especiais, mas, obviamente, isto pressupõe as fases da infância e adolescência. Mas, por mais surpreendente que possa parecer (ironicamente), os filhos crescem!

Falar de filhos adultos não se trata mais propriamente da educação deles, ainda que sempre os pais poderão ensinar algo aos mais jovens. De qualquer forma, há que se ter uma finalidade com a educação dos filhos e com isso quero mesmo apontar para um fim neste processo, pelo menos no que se refere à responsabilidade primordial dos progenitores.

Legalmente uma pessoa é responsável por seus atos e responde diante da justiça a partir do dia em que completa 18 anos. Para a Organização Mundial da Saúde existe um período do desenvolvimento considerado “adolescência” que compreende a faixa etária de 10 a 20 anos, antes da adultez.

Seja por aspectos biológicos/cronológicos, sociais/legais ou cognitivos/emocionais, com certeza todos os indivíduos com desenvolvimento “normal” (dentro da média quanto as condições de saúde mental) irão sofrer importantes mudanças totais na existência, que em algum momento deixam de ser crianças, mas ainda não serão adultos e, depois de algum tempo ou quase que instantaneamente para alguns, terão que se assumir como indivíduos autônomos e independentes em todos os sentidos.

De quem é a responsabilidade por conduzir este processo lento e caro, que em média pode (ou pelo menos deveria por força da própria natureza) durar um pouco menos ou um pouco mais de duas décadas na vida de cada pessoa?

Bem, considerando o início deste processo o próprio nascimento de uma pessoa, como para o ser humano é impossível sobrevir sozinho mesmo adulto, enquanto bebê tal responsabilidade cabe totalmente a seus pais ou quem quer que se responsabilize por ele. Gradativamente, espera-se que cada um seja ensinado e aprenda como viver por si só. Esta é a finalidade da qual eu me referia no início deste texto, ou seja, a meta de se gerar um filho em relação à educação que se deve a ele é torna-lo um adulto competente o suficiente para se cuidar relativamente sozinho econômica, social e emocionalmente.

Assim, quanto mais a pessoa cresce, mais ela também se torna corresponsável por este processo de individuação, caracterizado por um movimento familiar de “expelir” os filhos para a vida adulta, como foi denominado por alguns autores (Simon, Stierlin & Wynne, 1985). Também comparado com um verdadeiro padrão de movimento de forças centrífugas do sistema familiar ou centrípetas, que regulam a qualidade e intensidade com a qual se dará a saída dos filhos da família (Stierlin, 1973).  

Até mesmo se uma família não tiver conscientemente dedicado parte de seus esforços em educar os filhos, desde o nascimento deles, para que o processo de torna-los adultos acorra de modo gradativo e competente para as demandas que a vida traz, quando eles atingem 18 anos o potencial de mudança é muito grande. Ao invés de se tornar um momento de crise que estagna a família inteira, quando cada um contribui para o desenvolvimento de todos e faz esforços para seu próprio crescimento, o “lançamento” de um filho para a adultez pode ocorrer de modo saudável.

Com a elaboração de um bom plano, com metas a serem atingidas com previsão de tempo e realizações, as vezes com a ajuda de um profissional, as famílias podem superar eventuais situações em que enfrentam com filhos já adultos dentro de casa que parecem “não querer nada com a vida” ou até mesmo trazem problemas por comportamentos de risco.

Luis Antonio Silva Bernardo

Psicólogo CRP 06/115616